O nome correto é diferencial tipo A, não “classe A”. A letra indica as formas de corrente residual que o aparelho foi concebido para detetar. Também convém corrigir outra expressão frequente: fala-se em corrente contínua pulsante, não em “energia pulsante”.
Estas diferenças ganharam importância porque muitos equipamentos atuais têm eletrónica, retificadores e fontes de alimentação. Uma fuga à terra já não apresenta sempre a mesma forma sinusoidal que se esperava em cargas puramente resistivas.
O que faz uma proteção diferencial?
De forma simplificada, o diferencial compara a corrente que sai pelos condutores ativos com a corrente que regressa. Em condições normais, o balanço é praticamente nulo. Quando parte da corrente segue um caminho não previsto — por exemplo, através da terra ou de uma massa acessível — aparece uma corrente residual.
Se essa corrente tiver uma forma que o aparelho consiga reconhecer e ultrapassar o limiar durante o tempo necessário, o diferencial atua e interrompe a alimentação. O botão de teste verifica o mecanismo segundo o circuito previsto pelo fabricante; não substitui medições da instalação.
Um diferencial também não substitui o disjuntor. O disjuntor protege contra sobrecarga e curto-circuito; o diferencial responde a determinadas correntes residuais. Ambos podem estar reunidos num aparelho, mas continuam a desempenhar funções diferentes.
Tipo AC e tipo A: qual é a diferença?
Um diferencial tipo AC é concebido para corrente residual alternada sinusoidal. O tipo A deteta essa mesma forma e acrescenta a corrente residual contínua pulsante, como a que pode resultar de certos circuitos eletrónicos monofásicos com retificação.
Isto não significa que o tipo A “dispara mais” em qualquer situação nem que um tipo AC nunca atua numa casa moderna. Perante uma fuga sinusoidal dentro das condições do aparelho, ambos podem atuar. A diferença aparece quando a forma de onda contém componentes para as quais o tipo AC não foi concebido.
Também não existe uma substituição universal baseada apenas na letra. O tipo, a sensibilidade em mA, a corrente nominal, a coordenação com os restantes aparelhos, a carga alimentada e as instruções do fabricante têm de ser vistos em conjunto.
O que é corrente contínua pulsante?
Imagine uma corrente que mantém essencialmente o mesmo sentido, mas aumenta e diminui em impulsos. Essa forma pode surgir quando um retificador deixa passar apenas parte da onda alternada. Não é uma corrente alternada sinusoidal completa, porque não oscila de forma simétrica entre os dois sentidos; também não é uma corrente contínua perfeitamente lisa.
Fontes de alimentação, placas eletrónicas, eletrodomésticos e carregadores podem produzir formas residuais mais complexas do que uma carga resistiva. É por isso que a seleção do diferencial deve acompanhar o equipamento ligado ao circuito.
Porque um diferencial atua e outro pode não atuar?
A resposta não depende apenas de ser tipo AC ou tipo A. É necessário saber:
- qual a forma da corrente residual;
- qual a sua intensidade e duração;
- qual aparelho está a montante e qual está a jusante;
- se existem fugas acumuladas de vários equipamentos;
- se há neutros misturados, erro de ligação ou defeito na instalação;
- se o diferencial está em condições e é adequado à carga.
Um disparo repetido não deve ser resolvido aumentando a sensibilidade, eliminando a proteção ou trocando o aparelho por tentativa. Primeiro é preciso identificar que diferencial atuou e medir a origem da corrente residual. O artigo diferencial dispara frequentemente explica como organizar essa triagem sem abrir o quadro.
Tipo A numa Wallbox: quando é suficiente?
Não se deve responder olhando apenas para a marca da Wallbox. O carregamento de um veículo pode introduzir componente contínua que afete a proteção diferencial. Muitos carregadores incorporam um dispositivo de deteção de corrente residual contínua, normalmente identificado como RDC-DD de 6 mA.
Quando o fabricante declara essa proteção integrada e a configuração cumpre as regras aplicáveis, pode ser previsto um diferencial tipo A de até 30 mA a montante. A Schneider, por exemplo, indica esta combinação para a referência EVlink Home. A Hager explica o mesmo princípio e alerta que, sem deteção adequada de corrente contínua no carregador, pode ser necessário um tipo B ou outra solução prevista pelo fabricante e pelo projeto.
Logo, “Wallbox leva sempre tipo A” é uma frase incompleta. A resposta correta depende da referência concreta, da presença e características do RDC-DD, da alimentação, da documentação do fabricante e das regras nacionais aplicáveis. A DGEG disponibiliza o Guia Técnico das instalações elétricas para alimentação de veículos elétricos, que deve ser lido juntamente com as RTIEBT e a documentação do equipamento.
O diferencial não substitui a terra nem as restantes proteções
Uma ligação à terra adequada, condutores dimensionados, proteção contra sobreintensidades, corte, ligações corretas e verificação final continuam necessários. O diferencial reduz risco em determinadas condições, mas não transforma uma instalação inadequada numa instalação segura.
Também não se deve concluir que um aparelho é tipo A apenas pela cor da alavanca ou pela marca. A confirmação faz-se pela referência e pelo símbolo normalizado gravado no equipamento. Se a marcação não está legível, a solução é identificar o aparelho em segurança e consultar a ficha técnica.
O que verificar numa avaliação?
- referência e símbolo do diferencial instalado;
- sensibilidade em mA e corrente nominal;
- circuitos alimentados pelo mesmo aparelho;
- equipamentos eletrónicos ligados e respetiva documentação;
- proteção de corrente contínua declarada pela Wallbox;
- continuidade do condutor de proteção e condições da terra;
- resultados dos ensaios com instrumento apropriado.
Na Figueira da Foz, Coimbra e zonas próximas, uma avaliação pode verificar o quadro, identificar as proteções e relacionar os disparos com os circuitos e equipamentos reais. Consulte o serviço de diagnóstico elétrico profissional ou a página de carregadores elétricos na Região Centro.
Fontes técnicas
A distinção entre as formas de corrente segue a documentação técnica da ABB sobre tipos de diferenciais. Para o caso específico de carregamento elétrico foram consultadas as orientações da Hager sobre RCD e RDC-DD e a confirmação da Schneider para EVlink Home.
Conteúdo técnico preparado em 26 de outubro de 2026. A seleção de uma proteção deve seguir as regras portuguesas aplicáveis, o projeto e a documentação da referência instalada.

